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19/05/2006 Aminattou Haidar denuncia
que o governo espanhol trai o povo sarauí Mario Amorós Mundo Obrero; traduzido de Rebelión Aminattou Haidar é um dos símbolos da luta do povo sarauí para viver em liberdade na sua pátria: o Saara Ocidental. No dia 8 de Maio recebeu em Madrid, num acto massivo celebrado no auditório de Comisiones Obreras, o V Prémio Juan María Bandrés para a Defesa do Direito de Asilo e a Solidariedade com os Refugiados, outorgado pela Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR). No seu emocionante discurso, Haidar agradeceu a enorme solidariedade que a causa do seu povo desperta na sociedade espanhola, mas censurou a posição do governo espanhol nas negociações internacionais para conseguir uma solução para um conflito que já vai a caminho de cumprir 31 anos, ao não defender o direito do povo sarauí a exercer o seu direito à autodeterminação. Em meados do passado mês de Janeiro Aminattou Haidar saiu da Prisão Negra de El Aaiún, nos territórios ocupados do Saara Ocidental, depois de cumprir a pena de sete meses de prisão que lhe foi imposta por um tribunal marroquino numa mascarada de julgamento, tal e como denunciaram os observadores internacionais presentes. Juntamente com outros activistas sarauís, foi detida faz agora justamente um ano por participar nos protestos pacíficos da população sarauí dos territórios ocupados a favor do reconhecimento dos direitos nacionais do seu povo. Na prisão, os seus companheiro e ela realizaram uma greve de fome de 51 dias. Haidar foi detida pela primeira vez por forças ocupantes marroquinas em 1987, quando tinha 20 anos, e esteve desaparecida quase quatro anos, tempo durante o qual foi torturada, forçada a permanecer sempre com os olhos vendados e submetida a um regime vital desumano. Na sua condição de destacada lutadora pela defesa dos direitos humanos denunciou com tenacidade os crimes contra a humanidade perpetrados pelo regime de Rabat, ontem com Hassan II (a quem o monarca espanhol considerava seu “irmão”), hoje com Mohamed VI: existem mais de 500 sarauís desaparecidos, os activistas sarauís são detidos de maneira arbitrária e torturados sistematicamente… Mas se a ditadura marroquina considera e trata Aminattou Haidar como inimiga, é pela sua defesa irrestrita dos direitos nacionais do povo sarauí e pelo seu apoio à Frente Polisário como única representante do mesmo, face aos fantoches que Rabat exibe ante a comunidade internacional. No seu discurso perante as mais de 400 pessoas que assistiram à entrega do V Prémio Juan María Bandrés, Aminattou Haidar assinalou a sua disposição para lutar, juntamente com os seus colegas, até ao fim para conseguir a liberdade do Saara Ocidental. Se a situação dos mais de duzentos mil sarauís que vivem nos acampamentos de refugiados de Tinduf é muito difícil, devido ao severo corte da ajuda internacional e das consequências das inundações de Fevereiro, a população sarauí dos territórios ocupados protagoniza uma corajosa e pacífica Intifada, reprimida por Marrocos de maneira brutal. E, além disso, no horizonte imediato as negociações internacionais para uma solução do conflito estão empantanadas devido à intransigência de Rabat, ao apoio que lhe é prestado pela França e à passividade do governo espanhol, que não defende, como potência descolonizadora que ainda é, segundo a legalidade internacional, o direito do povo sarauí à autodeterminação e que claudica perante Marrocos. Este povo hospitaleiro e pacífico foi traído pela ditadura franquista no Outono de 1975 e foi-o até hoje por todas os governos posteriores, incluídos os socialistas, sublinhou Aminattou Haidar. Ela sustenta que só a imensa solidariedade da sociedade espanhola para com o seu povo os fará perdoar algum dia a cumplicidade dos diferentes governantes espanhóis com Marrocos. Aminattou foi por vezes chamada a “Pasionaria sarauí”; como Dolores, representa a tenaz luta do seu povo pela liberdade. A sua bonita voz chegada do deserto fala-nos do sofrimento de um povo maltratado, mas também da sua resistência e do seu combate. |