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30/10/2005 justifica o terrorismo de
Estado do presidente Bush Adolfo Pérez Esquivel Reproduzimos a seguir a seguinte carta de Adolfo Pérez Esquivel,
Prémio Nobel da Paz 1980, que fora enviada a Julio Yao, coordenador do Comité
Panamenho pela Paz e contra a Guerra e do Serviço Paz e Justiça do Panamá,
por motivo da jornada de rejeição à visita do Presidente Bush ao Panamá a 6 e
7 de Novembro próximo. Um primeiro acto será levado a cabo no Paraninfo da
Universidade do Panamá a 31 de Outubro, onde Pérez Esquivel foi objecto de
homenagem no ano passado e no qual Luis Posada Carriles e seus sequazes
fizeram planos para assassinar o presidente de Cuba, Fidel Castro, em
Novembro de 2000. Ademais, será realizada uma concentração nacional e uma
corrente humana na praça Porras da cidade capital na segunda-feira 7 de
Novembro. Comité Panamenho pela Paz e contra a Guerra Serviço Paz e Justiça do Panamá Dr. Julio Yao Recebam a minha fraterna saudação: Quero enviar-lhes toda a minha
solidariedade e apoio para a jornada de rejeição à visita do Presidente Bush
ao Panamá, que se realizará no Paraninfo Universitário, a 31 de Outubro do
corrente. O mundo tornou-se bem mais inseguro e turbulento. As desigualdades
aprofundaram-se; a fome e a pobreza aumentaram com a concentração do poder em
poucas mãos e os conflitos multiplicaram‑se em diferentes regiões do
mundo. É o que o Presidente Bush, com a sua política de devastação e morte,
gerou com a sua actuação impune, que representa um perigo para as democracias
da América Latina e do Caribe, na sua tentativa de dominar regiões utilizando
medidas financeiras ou acções armadas. Sabemos que os organismos
internacionais de crédito respondem às políticas dos Estados Unidos. A imaginação do surrealismo mágico termina sendo um pálido reflexo da
crueldade que despoletou no Iraque e no Afeganistão com a guerra e em diferentes
regiões do nosso continente e do Caribe com a sua política de penetração e
dependência económica. Põe em evidência a sua crueldade e o desprezo que tem
do ser humano, e que não vacila em utilizar qualquer meio para atingir os
seus fins, violando sistematicamente os direitos humanos. Os seus particulares métodos parecem não ter fim para os anos
vindouros. Segundo o Washington Post, o seu governo pensa construir prisões
para os acusados de terrorismo indefinidamente sem julgamento algum, violando
a própria Constituição dos EUA, além de todo o direito das pessoas. O
Departamento de Defesa mantém 500 prisioneiros na Baía de Guantánamo, em
Cuba, e pensa pedir ao Congresso 25 milhões de dólares para construir uma
prisão para albergar detidos com poucas possibilidades de comparecer ante um tribunal
militar por falta de provas. E a lista seria interminável. O poder é a pior das drogas, cega o olhar e o pensamento e, pior
ainda, endurece o coração e os sentimentos. O pensamento sem sentimento é a
grande tragédia da humanidade. Os impérios mais poderosos caíram e os EUA não
são uma excepção. O monopólio da força não garante a segurança. Abraham
Lincoln, há mais de 100 anos, disse: «Se Estados Unidos não tiverem
capacidade para gerar relações com outros povos, serão vítimas da sua própria
autodestruição». Nenhum terrorismo, provenha de quem provenha, justifica o terrorismo
de Estado que o presidente Bush aplica sobre a população civil, invadindo
países como o Iraque e o Afeganistão, ou o bloqueio a Cuba que já leva mais
de 45 anos; a intervenção militar no Haiti, as bases militares de Manta, a
sua recente presença no Paraguai com o exército, violando todos os tratados
internacionais e a soberania dos povos. Ignorando as Nações Unidas
transformadas numa carapaça sem conteúdo. O presidente Bush não deve esquecer que, o que semeia recolhe. A
teoria da “guerra preventiva” põe a sua actuação à margem de toda a lei
conhecida e fala de “luta contra o terrorismo” enquanto pratica o terrorismo
de Estado. Podemos citar as torturas nas prisões de Guantánamo, e os avanços
para militarizar e controlar a nossa região. Os nossos povos lutam pela sua soberania energética, alimentar, por
isso dizemos NÃO ao ALCA, ao TLC e a todos essas siglas que significam a
dominação económica e cultural. A resistência dos nossos povos é pela paz,
pela vida , contra o seu projecto político de morte. A sua presença no Panamá é recusada por todos os que construímos, de
todos os rincões da nossa Pátria Grande, caminhos de dignidade. Porque já
conhecemos os resultados das suas políticas nesse solo. Assim também será
recusada sua presença em Mar del Plata, Argentina, na próxima IIIª Cúpula dos
Povos. Porque os laços de união entre os irmãos e irmãs da América Latina e
do Caribe fortalecem a esperança de que OUTRO MUNDO É POSSÍVEL. Recebam minha
fraterna saudação de Paz e Bem. Adolfo Pérez Esquivel Prémio Nobel da Paz |