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12/03/2006 Apelo
Três anos passaram sobre a
invasão do Iraque e a marcha da democracia, triunfalmente anunciada pela
Administração Bush, revela-se um terrível embuste. O Iraque sintetiza bem os
danos que as doutrinas neo‑conservadoras estão a causar à Humanidade,
justificando o expansionismo militar em nome da democracia, torturando em
nome dos direitos humanos e usando armas químicas em nome da civilização. Hoje,
o Iraque está à beira da guerra civil, e a Paz surge cada dia mais distante. A invasão do Iraque não
trouxe nem a democracia nem a Paz ao Médio Oriente. Israelitas e
palestinianos parecem mais longe do que nunca de uma Paz justa e duradoura;
nenhum passo democrático se descortina nas monarquias teocráticas do petróleo
em relação às mulheres e aos direitos dos imigrantes; no Irão, o regime isola‑se
e choca o mundo com ambições e revisionismos obscenos; no Egipto, o governo
manipula abertamente as eleições pondo a nu a hipocrisia do Ocidente; no
Afeganistão reorganizam-se os talibans e o comércio do ópio; de Istambul a
Carachi e de Ramallah a Rabat, quem se reforça são os islamistas mais
sectários. Três anos depois da invasão
do Iraque, o mundo está mais injusto e muito mais perigoso, à beira da
proliferação em cascata de armas nucleares de destruição maciça. A falta às
obrigações de desarmamento por parte das potências nucleares é, aliás, um
incentivo para que novos actores se tentem armar. As relações internacionais
encontram-se reféns desta escalada, do desprezo pelo Direito Internacional,
do enfraquecimento das Nações Unidas, e do sacrifício dos Direitos Humanos no
altar da “guerra contra o terrorismo”. Cientes de que a resposta à
banalização da guerra constitui um indeclinável dever de cidadania, e
solidári@s com quant@s, a 18 de Março, por todo o mundo, se vão manifestar
pelo fim da ocupação do Iraque, @s signatários ·
Exigem a fixação de um calendário de retirada das
tropas ocupantes do Iraque, condição de uma solução política que garanta a
paz e a unidade do Estado iraquiano. · Apelam a um acordo político sobre o programa nuclear iraniano, que impeça a sua deriva armamentista, exigindo, simultaneamente, das potências nucleares a responsabilidade de se comprometerem com uma estratégia para o seu próprio desarmamento, como o Tratado de Não Proliferação Nuclear prevê no seu artigo VI. ·
Rejeitam a amálgama entre Islão e terrorismo, bem
como os revisionismos e incitamentos anti-semitas, que os instigadores do
“choque de civilizações”, a Oriente e Ocidente, vêm utilizando para preparar
as respectivas opiniões públicas, quer para futuras acções militares, quer
para novas e mais restritivas políticas quanto à imigração. Antes que seja de novo tarde
demais, mobilizemo-nos! Só a Paz traz a Paz! Subscrevem Ana Gomes, Boaventura Sousa Santos, Padre Anselmo Borges, Domingos Lopes, Elisa Ferreira, Fernando Nobre, Frei Bento Domingues, Isabel Allegro, José Manuel Pureza, Luís Moita, Maria João Seixas, Miguel Portas, Pedro Bacelar Vasconcelos, Viriato Soromenho Marques |