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04/03/2006 Por diversas vezes, na história, intelectuais têm assumido o dever, entendido simultaneamente como direito, de lançar um grito de alerta. O momento actual clama por um
veemente apelo à consciência dos povos. Estamos perante um crescendo de
irracionalidade brutal, cuja principal origem não reside, como afirma a
ideologia dominante, na violência inata de grupos humanos atrasados e
fanatizados, mas sim no sistema globalizado de exploração, domínio e opressão
que espalha à escala planetária violência, agressão, atraso e miséria. Foi num ambiente semelhante que, há menos de um século, germinaram as ideologias e os regimes fascistas e nazi-fascistas protagonistas das maiores tragédias que a humanidade viveu até hoje. É nesse ambiente que renascem e ganham fôlego novas expressões do mesmo flagelo. Hoje, como então, avançam sob
a capa do anticomunismo. Clamam pela criminalização, a perseguição, a
proibição da existência e da acção dos comunistas. Mas o que pretendem de
facto criminalizar, perseguir e reprimir é a liberdade, a democracia, o
direito dos trabalhadores, dos cidadãos, dos povos à resistência e à luta por
direitos humanos, pelo simples direito a sonhar, sequer, que outra sociedade
é possível. Não usam, hoje, camisas
negras ou castanhas os porta vozes deste sombrio programa. Vestem fato e
gravata e têm assento em importantes organismos internacionais. Quiseram aprovar no Conselho
da Europa uma resolução anticomunista que, se aplicada, teria como
consequência uma implacável escalada persecutória, de repressão e de
violência, não apenas contra os comunistas mas contra todos os que resistem e
lutam contra o intolerável estado de coisas hoje dominante. Há muito que não
era ouvida com tanta clareza, numa instituição europeia, a voz secular da
opressão, do ódio à duríssima marcha da emancipação humana. Conhecemos, por dolorosa memória histórica, o significado destes sinais. Este é, por isso, o momento
para exercermos o dever e o direito de lançar um vigoroso e urgente grito de
alerta. Independentemente de diferentes apreciações individuais sobre várias das matérias em causa, não deixaremos que, com o nosso silêncio, se repitam actos e tragédias que marcaram a horror e a fogo a face dos povos. Não permitiremos, com o nosso
silêncio, que a história se repita. Primeiros subscritores: Álvaro Magalhães – Escritor Álvaro Siza Vieira – Arquitecto Domingos Tavares – Professor
Universitário Eduardo Souto Moura –
Arquitecto Filipe Diniz – Arquitecto Frederico Carvalho –
Investigador Hélder Costa – Autor,
Encenador Isabel Allegro de Magalhães –
Professora Universitária João Arsénio Nunes – Historiador João Ferreira – Bolseiro de
Investigação José António Gomes – Escritor José Barata Moura – Reitor da
Universidade de Lisboa José Luís Borges Coelho –
Músico José Rodrigues – Artista
Plástico José Saramago – Escritor,
Prémio Nobel da Literatura Manuel Gusmão – Jornalista,
Escritor Maria Helena Serôdio – Professora
Universitária. Miguel Urbano Rodrigues –
Escritor Óscar Lopes – Escritor Rogério Ribeiro – Artista
Plástico Rui Namorado Rosa – Professor
Universitário Urbano Tavares Rodrigues – Escritor |