Informação Alternativa

Mundo

Janeiro 2006

 

Um relatório secreto do Pentágono

 

Le Monde diplomatique

 

Extracto de um relatório sobre as alterações climáticas encomendado em 2004 por um importante conselheiro na área da defesa do Pentágono, Andrew Marshall. Redigido por Peter Schwartz, consultor na CIA, e Doug Randall, da rede californiana Global Business Network, foi recentemente publicado na íntegra [1].

 

Existe desde há muito tempo um debate académico sobre a questão dos conflitos entre Estados engendrados pelos constrangimentos dos recursos e os rigores do meio. Alguns pensam que eles podem ser a causa única de um ataque levado a cabo por um país contra outro, enquanto outros consideram que a sua primordial acção consiste em desempenharem o papel de desencadeamento de conflitos entre países que se vejam já confrontados com tensões políticas, sociais e económicas. Seja como for, parece inegável o facto de graves problemas ambientais serem susceptíveis de conduzir a uma escalada dos conflitos no mundo.

 

Peter Gleick, co-fundador e presidente do Instituto do Pacífico de Estudos sobre Desenvolvimento, Ambiente e Segurança, resume os três problemas fundamentais colocados por uma alteração climática brutal: escassez de alimentos devido à diminuição da produção global; diminuição da qualidade e da quantidade de água doce devido às inundações e secas; e um acesso limitado aos minerais estratégicos devido ao gelo e às tempestades.

 

No caso de se registar uma brusca alteração climática, é provável que os constrangimentos que pesam sobre a alimentação, a água e a energia venham a ser num primeiro tempo geridos por meios diplomáticos, políticos e económicos, tais como tratados e embargos ao comércio. Mas, com o passar do tempo, os conflitos a propósito da utilização das terras e da água são susceptíveis de se tornar mais agudos – e mais violentos. À medida que crescer o desespero dos Estados, aumentará a pressão para se passar à acção.

 

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[1] Rapport secret du Pentagone sur le changement climatique, Allia, Paris, Janeiro de 2006.