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01/07/2008 Rui Pereira Sem prejuízo de, em
breve, aqui se dar uma visão desta técnica tal como é utilizada hoje pela
comunicação social, eis um exemplo de como o discurso – neste caso, os
títulos – de um jornal da época vai acompanhando, dia a dia, a evolução da relação
de forças na política francesa. Primeiro, os factos. Em 1815, no curto período de 12 dias, Napoleão
Bonaparte, então forçado ao exílio na ilha de Elba, evade-se, regressa a
França, reagrupa as forças que lhe são fiéis e avança rapidamente para Paris.
Aí, nas Tulherias, retomará o poder para o que ficou conhecido como os “Cem
Dias” (após os quais seria de novo destituído e desterrado para a ilha de
Santa Helena, onde acabaria por morrer). Eis, agora, como o mais importante jornal parisiense da altura, o Moniteur
Universel, que tivera ao longo da sua história diversas disputas com
congéneres seus pela posição de “único jornal oficial”, vai descrevendo o que
se passou nesses 12 dias: – dia 9 de Março de 1815 – “O monstro fugiu do seu desterro”. – dia 10 – “O ogro corso desembarcou em Cape Jean”. – dia 11 – “O tigre apareceu em Gap. Os exércitos dirigem-se para
ali, para travar o seu avanço. A miserável aventura terminará como as dos
delinquentes, nas montanhas”. – dia 12 – “O monstro chegou à cidade de Grenoble”. – dia 13 – “O tirano está agora na zona de Grenoble e Lyon. Toda a
gente está aterrorizada desde que ele apareceu”. – dia 18 – “O usurpador ousou aproximar-se de um ponto situado a 60
horas da capital”. – dia 19 – “Bonaparte aproxima-se a passo veloz, mas é-lhe
impossível entrar em Paris”. – dia 20 – “Napoleão chegará amanhã às muralhas de Paris”. – dia 21 – “O imperador Napoleão está em Fontainebleau”. – dia 22 – “Ontem pela tarde, sua Majestade o Imperador fez a sua
entrada pública nas Tulherias. Nada pode superar este regozijo”. |