Informação Alternativa

Médio Oriente

13/05/2006

 

Planos de limpeza étnica para a Palestina e para o Iraque

 

TMI-AP

 

 

A mensagem que a seguir se publica, proveniente de Israel e tendo por origem uma notícia da televisão israelita emitida na noite do dia 10 de Maio, dá conta do que se afigura como preparativos para uma acção de guerra urbana com vista à limpeza étnica dos territórios palestinianos. O comentário, a que o dr. António Louçã acrescenta dados importantes, refere-se principalmente à Palestina, mas o paralelo com o Iraque é óbvio.

 

«Hoje, um relatório noticioso da televisão israelita (canal 1) parece conter indicações de coisas que estão para acontecer e que devem ser divulgadas. O relatório revela que uma cidade palestiniana, com cerca de 400 construções, ruas estreitas e até um minarete, foi construída no deserto do Neguev para uso das tropas israelitas e norte-americanas – para exercícios de combate casa-a-casa nas comunidades urbanas palestinianas e iraquianas.

 

Esta cidade para as tropas treinarem a liquidação de palestinianos, em conjunto com o que vejo acontecer nos territórios palestinianos ocupados, leva-me a concluir que Israel está a acelerar os seus propósitos de limpeza étnica. As mudanças que se deram nos últimos meses (barreiras por todo o lado, mais bloqueios de estradas que nunca, longas esperas nos postos de controlo, altas torres de observação que podem ser usadas por atiradores furtivos que podem atingir aldeias que nunca foram violentas, continuado roubo de terras, etc., etc., etc.) sugerem que as tentativas de limpeza étnica crescem de intensidade, com a noção de que, fazendo a vida tão dura quanto possível aos palestinianos, eles acabarão por ir-se embora, se não da Palestina pelo menos das suas aldeias, fugindo para áreas urbanas mais seguras (por exemplo, Belém ou Ramala).

 

Já não restam muitas destas zonas “mais seguras”. A limpeza étnica por parte de Israel procura expulsar o maior número possível de palestinianos, de modo a urbanizar os territórios ocupados com contínuos colonatos que dêem origem ao “grande Israel”, deixando aos palestinianos 4 ou 5 cidades sem esperança de expansão ou meios de subsistência.

 

A imigração para Israel quase secou (neste último ano o crescimento populacional foi devido aos nascimentos, não à imigração). A ideia de um estado judaico exige uma maioria judaica. Sendo a demografia o principal critério sionista, tudo leva a crer que os governos de Israel chegaram à conclusão de que a única maneira de assegurar uma maioria judaica é expulsar os palestinianos. Deus os ajude, e a nós também, porque parece que o mundo liga ao que está a acontecer aos palestinianos tanto quanto ligou ao que aconteceu aos judeus, aos ciganos, aos comunistas, às testemunhas de Jeová, etc. durante a segunda guerra mundial.

 

Esta cidade palestiniana no Neguev foi sem dúvida paga com dólares norte-americanos. Se alguém tiver tempo e influência, use-os para que seja cortada a ajuda militar a Israel, e para encorajar a igreja presbiteriana dos EUA e outras para desinvestirem (pelo menos) das companhias que ajudam a manter a ocupação.

 

Dorothy»

 

Comentando a notícia, o dr. António Louçã – que depôs na Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque, em Março de 2005, acerca do papel de Israel no Médio Oriente – sublinha o seguinte:

 

«A limpeza étnica tem os seus instrumentos económicos, mas também militares e policiais. Como se sabe, o primeiro­‑ministro Olmert anunciou que vai fixar “definitivamente” as fronteiras israelitas anexando uma parte da Cisjordânia. Isso significa que, nessa parte, provavelmente farão tudo para expulsar os palestinianos. Foram também publicados estudos de opinião que apontam para mais de 60% dos israelitas a apoiarem medidas de expulsão, não já dos palestinianos em sentido estrito, mas dos próprios árabes israelitas. Um artigo hoje publicado (11 de Maio) no Ha’aretz comenta o desconforto causado por esses estudos, claramente comprovativos de um ambiente racista, dizendo que não surpreende este crescimento das correntes racistas, quando aos israelitas todos os dias se enchem os ouvidos com especulações sobre a bomba demográfica palestiniana, que estaria em vias de destruir a maioria judaica no Estado.»

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