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13/06/2006 Thierry
Meyssan Entre os aliados dos Estados
Unidos, inúmeras vozes se levantam para pedir o encerramento do campo de
Guantánamo após o anúncio do suicídio de três prisioneiros. Esta
reivindicação suscita vários comentários: As autoridades estadunidenses tinham instalado nos anos 70 duas escolas de tortura onde formavam os quadros repressivos das ditaduras aliadas. A primeira, designada School of Americas, estava situada na base dos EUA no Panamá. Constantin Costa-Gavras denunciou‑a no seu famoso filme Estado de sítio. A segunda, conhecida sob o nome de Political Warfare Cadres Academy, estava instalada em Taiwan. No início do século XXI, as mesmas autoridades estadunidenses reconstituíram este dispositivo criando duas escolas idênticas, a primeira em Bagram no Afeganistão, e a segunda em Guantánamo. Embora a tortura seja negada
pela imprensa dominante, apesar de uma acumulação de testemunhos, ninguém
ignora o arbítrio que reina nestas prisões. Portanto, não se compreende
porque seria necessário fechar uma e não a outra. No entanto, na NATO, cada qual
se esforça por pensar que a administração Bush “democratizou” o Afeganistão e
que é legítimo enviar para lá tropas para apoiar o regime de Hamid Karzai,
apesar de um levantamento popular geral e permanente. Guantánamo é um local
ilegalmente ocupado pelos Estados Unidos no território cubano, enquanto
Bagram é uma base da NATO instalada no quadro de uma vulgar operação colonial
disfarçada de resposta legítima na sequência do 11 de Setembro. O problema de fundo não é
evidentemente o de tal ou tal centro de detenção, mas o dos direitos humanos.
Neste plano, a administração Bush criou todo um aparelho jurídico que lhe permite
eximir‑se tanto do direito estadunidense como do direito
internacional. Contudo, os Aliados dos Estados Unidos não exigem o respeito pelo direito internacional, sendo entendido que isso os levaria inexoravelmente a interrogar-se sobre a evolução do direito interno estadunidense. Contentam‑se pois em pedir que se deixe de fazer tudo isso em público, que lhes seja deixada a ilusão confortável de compartilhar “valores comuns” com os seus cruéis protectores de Washington. |