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01/09/2006
Sector privado “não é a solução para a pobreza” Phillip
Thornton The Independent;
traduzido de Common Dreams Os países ricos devem
entregar mais dinheiro directamente às nações pobres para evitar uma
crescente crise sanitária e de saúde que se espalha através do hemisfério
Sul, dirá hoje a Oxfam. A agência global
afirmou que os investimentos em cuidados de saúde, água, rede sanitária e
educação devem ser disponibilizados pelos governos em vez de pelo sector
privado. Belinda Calaguas, chefe
de política na WaterAid, que produziu o relatório [1] juntamente com a Oxfam,
acrescentou: «Existem mais de mil milhões de pessoas que vivem sem acesso a
água limpa e segura, e 2,6 mil milhões de pessoas não têm onde ir à
casa-de-banho. Isto leva ao inevitável alastramento de doenças relacionadas
com a água que reclamam as vidas de cerca de 6.000 crianças todos os dias». O relatório condena o
Banco Mundial por forçar a privatização ou projectos inapropriados do sector
privado em países em desenvolvimento, e critica os governos ocidentais por
subscreverem a chamada agenda de Washington. Afirma que a escala dos
problemas em áreas como a África Subsaariana é tão vasta que poderia ser
resolvida por acção governamental directa – da mesma forma que o mundo
industrializado procurou resolver os seus próprios problemas de saúde e de
água no século XIX. O relatório afirma que
é um «escândalo» que as pessoas ainda estejam a viver sem os serviços
básicos. Afirma que, num único dia, 4.000 crianças morrem de diarreia, uma
doença contraída através da água suja; 1.400 mulheres morrem
desnecessariamente durante a gravidez ou quando dão à luz; e 115 milhões de
crianças em idade escolar, a maioria raparigas, não vão à escola. Custaria 47
milhões de dólares extra por ano para cumprir os objectivos que a ONU
estabeleceu para serem alcançados em 2015. Barbara Stocking,
directora da Oxfam Grã-Bretanha e antiga directora regional da NHS, disse: «A
mensagem chave é que isto pode ser feito. O montante de dinheiro não é
enorme». A Oxfam afirmou que os países em desenvolvimento só alcançariam
populações saudáveis e educadas se os seus governos assumissem a
responsabilidade de providenciar serviços essenciais. O relatório afirma: «Os
governos de países ricos e agências internacionais tais como o Banco Mundial
deviam ser parceiros cruciais no apoio a sistemas públicos, mas demasiado
frequentemente bloqueiam o progresso ao falharem na concessão de redução da
dívida e na ajuda previsível que suporta esses sistemas públicos. Frequentemente usam a
sua influência para forçar soluções do sector privado para as falhas do
serviço público e vêem o crescente envolvimento do sector privado como a
chave para aumentarem a eficiência e melhorar os serviços». A Tanzânia celebrou o
seu contrato o ano passado com a Biwater, uma companhia britânica, o que
tinha sido uma das condições de um empréstimo do Banco Mundial, devido a
fornecimentos irregulares e faltas de água. A Oxfam disse que, enquanto o
Reino Unido havia tomado uma posição forte quanto à provisão gratuita de
serviços tais como a saúde no seu Livro Branco este Verão, ficou desapontado
por, sendo o segundo maior contribuinte do Banco Mundial, não ter adoptado um
papel mais forte na mudança da política do prestamista com sede em
Washington. Max Lawson, conselheiro
político na Oxfam, afirmou que um documento, obtido por fuga de informação,
dos 10 anos de estratégia do Banco, incluía a provisão do sector privado e a
cobrança de serviços básicos de saúde. Ele disse: «O governo britânico devia
tomar uma posição forte com os aliados na Europa para pressionarem [o
Presidente do Banco Mundial] Paul Wolfowitz a parar de forçar esta agenda». O Departamento para o
Desenvolvimento Internacional [DfID, nas siglas em inglês] britânico afirmou
que o sector privado poderia desempenhar um «grande papel» na distribuição de
crescimento económico e de bons serviços públicos. Defendeu o uso de
condições na ajuda, dizendo que elas asseguravam que trazia benefícios reais. «Mas nós precisamos da
“espécie correcta” de condicionalidade, a qual não devia ser usada para impor
políticas específicas de escolha aos países pobres», afirmou uma porta-voz do
DfID. «Tanto o Banco Mundial como o FMI se comprometeram a trabalhar
conjuntamente com os governos para assegurar que as condições usadas nos seus
programas são delineadas a partir de estratégias nacionais e reflectem
prioridades nacionais». O Banco Mundial afirmou
que não podia comentar até ver o relatório completo mas discutiria a questão
com a Oxfam nas suas reuniões em Singapura este mês. OS MILHÕES EM
NECESSIDADE 1000 milhões de pessoas
não têm acesso a água limpa e segura; 2,6 mil milhões têm falta de
instalações sanitárias; 4.000 crianças morrem
diariamente de diarreia, uma doença proveniente da água; 1.400 mulheres morrem
por dia desnecessariamente durante a gravidez ou a dar à luz; Uma cobrança de 2
dólares por parte de clínicas de saúde rurais foi abolida pela Zâmbia após as
suas dívidas ao FMI e ao Banco Mundial serem canceladas e o Reino Unido
aumentar o seu orçamento de ajuda; Mais 4,25 milhões de
trabalhadores da saúde são necessários globalmente. Existe também um défice
de 1,9 milhões de professores; São necessários 47 mil
milhões de dólares extra por ano para cumprir objectivos em educação,
cuidados de saúde, água e serviços sanitários – menos que 5 % do orçamento
global para armamento. _____ [1] Oxfam, In the Public Interest: health,
education, and water and sanitation for all, Setembro 2006. Traduzido
por Bruno Teixeira |