|
Informação Alternativa |
|
Mundo |
|
Novembro 2006 Stefan Durand * Numa altura em que os Estados Unidos se enlodam no Iraque, país que soçobra
numa guerra civil, a administração Bush continua a justificar as intervenções
que leva a cabo no Médio Oriente em nome da luta contra o “fascismo
islâmico”. Este enquadramento ideológico permite agrupar na mesma categoria
movimentos díspares, da Al-Qaeda ao Hezbollah, passando pelos Irmãos
Muçulmanos. «Eles procedem através de grandes conceitos, tão grandes como dentes
furados. A lei, o poder, o mestre, o mundo, a
revolta, a fé. Deste jeito, podem fazer misturas grotescas, dualismos
sumários, a lei e o rebelde, o poder e o anjo». Com isso, «eliminam o
trabalho que consiste em “formar” conceitos de articulação subtil, ou muito
diferenciada, para evitar grosseiras noções dualistas». Foi nestes termos que
Gilles Deleuze se exprimiu em 1977 para denunciar aquilo a que chamou o
«pensamento nulo» de uns “novos filósofos”. Trinta anos mais tarde, os tais pensadores ainda “nulos”, já não
propriamente “novos” mas ainda e sempre não filósofos, estão na vanguarda
para propagar em França, com base em “misturas grotescas”, o oco conceito de
“fascismo islâmico”. Poderíamos ignorar tais coisas se este conceito não tivesse sido
utilizado publicamente pelo presidente George W. Bush, a 7 de Agosto de 2006,
e noutros discursos oficiais americanos em que meteu no mesmo saco movimentos
extraordinariamente diferentes uns dos outros (Al-Qaeda, Irmãos Muçulmanos,
Hamas, Hezbollah...), apresentando-os como os «sucessores do nazismo e do
comunismo». A transformação nominal da “guerra contra o terrorismo” em “guerra contra
o fascismo islâmico”, e portanto a inscrição dos movimentos fundamentalistas
muçulmanos na linhagem daquilo a que se chamou sem distinções, no século XX,
os “totalitarismos”, não são nada inocentes. O seu propósito consiste em
legitimar mais uma vez as políticas belicistas, baseando-se novamente em
amálgamas e nos velhos cordelinhos da “política do medo”. A paternidade do neologismo “islamo-fascismo” foi reivindicada no
semanário neoconservador The Weekly Standard pelo jornalista Stephen
Schwartz [1], que além disso colabora num sítio Internet muito controverso,
FrontPage Magazine, de David Horowitz. Schwartz, todavia, só em 2001 empregou esse termo pela primeira vez,
não sendo ele, por conseguinte, que inventou a expressão, mas sim o
historiador Malise Ruthven – em 1990, no diário britânico The Independent [2].
E foi Christopher Hitchens quem popularizou essa expressão nos Estados
Unidos. Brilhante jornalista, outrora à esquerda, Hitchens aderiu à guerra do
presidente Bush contra o Iraque. Mas o facto de esta expressão se ter
integrado num discurso oficial do presidente estadunidense deve-se
provavelmente ao orientalista Bernard Lewis [3], conselheiro da Casa Branca e
homem inflamado por uma imensa hostilidade ao islão. Schwartz, de resto,
considera-se um discípulo de Bernard Lewis. MOVIMENTOS TRANSNACIONAIS Se nos basearmos nas tradicionais definições teóricas formuladas
pelos mais eminentes peritos do fascismo, quer sejam as de Hannah Arendt,
Renzo De Felice, Stanley Payne ou Robert O. Paxon, vemos que nenhum dos
movimentos islamitas incluídos pelo presidente George W. Bush na expressão
“islamo-fascismo” corresponde aos critérios definidores. Não porque a
religião seja incompatível com o fascismo. Com efeito, embora Payne considere
que o fascismo precisa de um espaço secular para se desenvolver [4], Paxton e
outros autores retorquem‑lhe que isso só tem validade no caso europeu,
podendo perfeitamente existir um fascismo muçulmano, tal como, de resto, um
fascismo cristão, hindu ou judaico. Mas os movimentos apontados pela administração Bush não entram de
modo nenhum nesta categoria. O islamismo deve ser apreendido como um fenómeno
contemporâneo, novo e distinto. É certo que alguns elementos do fascismo
tradicional podem ser detectados em movimentos fundamentalistas muçulmanos,
tais como a dimensão paramilitar, o sentimento de humilhação e o culto do
chefe carismático (numa medida, porém, muito relativa e incomparável com os
cultos prestados ao Führer ou ao Duce). No entanto, todas as outras dimensões
do fascismo (nacionalismo expansionista, corporativismo, burocracia, culto do
corpo...), absolutamente fundamentais, encontram-se geralmente ausentes
deles. Os movimentos islamitas são muitas vezes transnacionais, ficando por
isso muito longe do “nacionalismo integral” que caracterizou os fascismos
europeus da década de 1930. O fascismo era, por natureza, imperialista e
expansionista. Ora, é verdade que operam em muitos países células da Al-Qaeda
e que certos movimentos islamitas sonham com uma reconquista da Andaluzia ou
da Sicília, ou com a restauração do califado, mas formações como o Hamas e o
Hezbollah – por muito contestáveis que possam ser as suas orientações
religiosas e algumas das suas acções armadas (em particular os atentados
contra civis) – estão em luta contra ocupações territoriais. Por seu lado, em função do seu absolutismo religioso, o regime dos
talibãs no Afeganistão assemelhava‑se mais com as teocracias da Idade
Média do que com os regimes fascistas que emergiram nos países industrializados
na sequência da Primeira Guerra Mundial. A dimensão corporativa – relação de quase fusão entre o Estado, as
empresas e os corpos de ofícios –, inerente ao fascismo, tão-pouco se
encontra no contexto islâmico, não podendo ser com ela comparada a relação
estreita que existe no Irão entre os comerciantes do bazar e o regime. Além
disso, em geral os movimentos islamitas não são apoiados pelo complexo
militar‑industrial de um país, mesmo que, ainda no Irão, a articulação
entre o Estado religioso e a poderosa indústria militar pudessem levar a
pensar o contrário. Neles também não é visível qualquer dimensão burocrática,
ao passo que a burocracia se encontrava no âmago dos fascismos europeus.
Porém, esta articulação existe também em países que não qualificaríamos como
“fascistas”, como por exemplo os Estados Unidos, a França ou o Japão. Dispor de um “Estado partidário” representa uma condição necessária
ao exercício de um poder de natureza fascista. Ora, os referidos grupos
islamitas são na maioria dos casos organizações não estatais, à margem do
poder no seu país, ou perseguidos por esse poder. Por outro lado, por
paradoxal que isso possa parecer em movimentos ideologicamente estruturados
pela religião, nestas organizações islamitas os aspectos ideológicos são
multas vezes secundários, tendo Raymond Aron sublinhado, em contrapartida, «a
demencial importância» da ideologia em todo o sistema totalitário, o qual,
segundo este autor, se alicerçava no «primado da ideologia» [5]. Os movimentos islamitas instrumentalizam a religião e procuram
servir-se dela como de uma ideologia, mas não têm vontade de criar um «homem
novo», como aconteceu na Europa. Trata-se mais de velhos arcaísmos religiosos
ou societais do que de uma ideologia global e coerente. Mais ainda, o êxito
popular destes movimentos decorre muitas vezes de outros factores que não os
ideológicos. A título de exemplo, o voto no Hamas não reflecte uma adesão do
povo palestiniano à ideologia deste movimento, sendo sobretudo a resultante
de um voto‑sanção contra a corrupção da Fatah. No Líbano, muitos são
os que apoiam o Hezbollah sem por isso subscreverem o seu discurso islamita.
Além disso, os intelectuais que apoiam estes movimentos fazem‑no
geralmente apesar da sua ideologia, e não por adesão ao islamismo. Em
contrapartida, enquanto ideologias o fascismo e o nazismo seduziram milhares
de intelectuais, alguns dos quais muito eminentes. A Al-Qaeda, por exemplo, só pode valer-se de raros apoios deste
género e o seu discurso, sumaríssimo, remete muito mais para fenómenos
sectários antigos do que para os regimes fascistas europeus. O fascismo e o nazismo eram movimentos de massas, assentes numa
politização e num consentimento das multidões, ao passo que as organizações
islamitas, apesar de todos os elementos propícios, tais como a crise
económica e a humilhação generalizada, deparam na maioria dos países
muçulmanos com sociedades civis apegadas às suas liberdades. o número dos que
apoiam os movimentos fundamentalistas muçulmanos no Norte de África não é
muito mais elevado do que o número daqueles que apoiam na Europa os
movimentos da direita extrema. O movimento Al-Qaeda só consegue seduzir uma
parte muito reduzida dos muçulmanos. Em cada um dos países árabes e
muçulmanos existem em estado latente, sob ditaduras amiúde enfeudadas aos
Estados Unidos, sociedades civis extraordinariamente vivas, não praticantes,
e antitotalitárias. Além disso, como escreve Robert Paxton, «o que
essencialmente nos impede de sucumbir à tentação de qualificar como fascistas
os movimentos islâmicos fundamentalistas como a Al-Qaeda e os talibãs é o
facto de eles não serem produto duma reacção contra democracias
disfuncionais. Parafraseando a célebre distinção de Émile Durkheim [6], a sua
unidade é mais orgânica do que mecânica. Acima de tudo, estes movimentos não
podem “renunciar às instituições livres” porque nunca as tiveram» [7].
Poderíamos ainda evocar muitos outros elementos que permitem rejeitar uma tal
analogia com o totalitarismo: ausência de um monopólio da informação (mesmo
no Irão ou na Arábia Saudita, apesar do controlo estrito do poder religioso,
existem brechas que deixam passar os ventos de uma certa liberdade), ausência
de darwinismo social, ausência de economia dirigida ou de mobilização
planificada da indústria, ausência do monopólio das armas... O caso da República Islâmica do Irão é sem dúvida problemático.
Mahmud Ahmadinejad pode apoiar-se num “Estado partidário”, controla de muito
perto os media, através do Ministério da Cultura e da Orientação
Islâmica, e mobiliza a sua economia – planificada –, bem como o seu imponente
complexo militar‑industrial. Poder‑se‑á mesmo assim
falar neste caso de islamo-fascismo? Não propriamente, de tal modo os
contrapoderes continuam a ser numerosos e a sociedade civil vigilante. O presidente
iraniano tem de transigir com o Majlis (Parlamento), e precisou até de vários
meses para obter deste a confirmação de alguns ministros nomeados. O número
um do Estado iraniano, o “guia supremo”, o ayatollah Ali Khamenei,
teve aliás de submeter as decisões do governo de Ahmadinejad ao aval do
Conselho de Discernimento, dirigido por Hachemi Rafsandjani, precisamente o
candidato derrotado por Ahmadinejad nas eleições presidenciais. Ahmadinejad tem também de transigir com o “reformador” Mohammad Khatami,
que continua a gozar duma popularidade nada negligenciável. Tzvi Barel
argumenta no diário Haaretz que as diatribes anti-israelitas do
presidente iraniano «se explicam, na realidade, pelas tensões ideológicas e
as relações de forças no seio da República Islâmica» [8]. Por último,
Ahmadinejad, o “populista”, vê-se e deseja-se para seduzir as elites, estando
uma grande parte da sociedade civil iraniana decidida a lutar contra a
influência dos ultraconservadores. Embora o termo genérico de “islamo-fascismo” seja de todo
incongruente, isso não quer dizer que a impregnação fascista não exista no
contexto islâmico. Nos mundos árabe e muçulmano há um número considerável de
ditaduras e regimes autoritários a que poderíamos chamar fascizantes, muitas
vezes aliados dos Estados Unidos na sua “guerra mundial contra o terrorismo”.
Curiosamente, os ditadores do Azerbaijão, do Uzbequistão, do Cazaquistão e do
Turquemenistão, quatro Estados muçulmanos, são poupados pelas críticas norte‑americanas,
apesar de ser evidente o carácter semifascista dos seus regimes. E a
monarquia saudita goza em Washington da mais alta estima, apesar do seu
fundamentalismo e obscurantismo religioso, e do seu apoio a movimentos
islamitas radicais e seus excessos. O apoio à política externa estadunidense
parece dar direito à absolvição de todas as derivas autocráticas e
fascizantes. Agora absolvido pela diplomacia ocidental depois de ter renegado
a sua turbulência passada, o coronel Muammar Kadhafi pôde comemorar o 37º
aniversário da sua chegada ao poder apelando ao assassínio dos seus
opositores, sem que no Ocidente ninguém se indignasse [9]. Podia o termo “fascista” justificar-se no Iraque a propósito da
ditadura do presidente Saddam Hussein, dos baasistas e dos seus mukhabarat
(serviços secretos)? Sem dúvida. O regime de Saddam Hussein era
ultranacionalista, assentava no culto desmesurado do chefe, não distinguia as
esferas pública e privada, e além disso era expansionista. Numa conferência
proferida no Koweit, em 1987, Edward Said advertira os governantes do Golfo:
«Continuando a apoiar financeiramente Saddam Hussein, os senhores tornam‑se
cúmplices deste fascismo árabe de que hão-de acabar por ser vítimas». Mas só
depois de 2 de Agosto de 1990, após a invasão do seu país, os dirigentes
koweitianos compreenderam. ANTIGOS ALIADOS DE WASHINGTON A hipocrisia é ainda mais manifesta se pensarmos que os
“islamo-fascistas” de agora, nomeadamente os neotalibãs afegãos, foram
qualificados em Washington, durante a sua luta contra os soviéticos na década
de 1980, como «equivalentes morais» dos pais fundadores dos Estados Unidos
[10]. Os Irmãos Muçulmanos egípcios foram também muito generosamente apoiados
pelos serviços secretos britânico e norte‑americano. E, para refrear o
poder da Fatah, dos marxistas e da Organização de Libertação da Palestina, o
governo israelita favoreceu os Irmãos Muçulmanos na Palestina (antes da
criação do Hamas). Podemos e devemos criticar com determinação alguns movimentos
obscurantistas e fanáticos que no mundo muçulmano recorrem ao terrorismo e
têm aspecto fascizante, mas sem por isso recorrermos a termos englobantes e
provocantes como “nazi-islamismo” e “islamo-fascismo”, que estigmatizam
populações inteiras estabelecendo uma relação directa entre a sua religião e
os partidos extremistas que instrumentalizaram esta religião em nome de
objectivos políticos. Recusar um conceito fraudulento não significa, de modo
nenhum, que não devamos criticar os crimes dos islamitas e a sua visão do
mundo. Não deu o brilhante intelectual paquistanês Eqbal Ahmad provas duma
coragem excepcional ao defender Salman Rushdie – ameaçado de morte por uma fatwa
iraniana – perante multidões paquistanesas em fúria? Todas estas considerações têm pouca importância aos olhos dos
jacksonianos [11] e dos neoconservadores que dominam a política externa dos
Estados Unidos, para quem o emprego da expressão “fascismo islâmico” é útil
sobretudo pela dimensão emocional que contém, por permitir espalhar o medo. É
nisso que reside o perigo principal. Dando crédito à ideia de que o Ocidente
luta contra um novo fascismo e contra novos Hitler, vai‑se preparando
a opinião pública para aceitar a ideia de que a guerra pode e deve ser
“preventiva”; de que a resposta à “ameaça fascista” deve ser maciça; e que,
por isso mesmo, essa ideia se encontra justificada, sejam quais forem as
consequências em vidas humanas perdidas. «Então os Aliados não bombardearam
Dresden?», retorquiram certos neoconservadores às críticas suscitadas pelas
centenas de bombardeamentos executados pelos F16 israelitas sobre bairros
civis libaneses. A obstinação com vista a “nazificar” o adversário não é nova.
Periodicamente, os media ocidentais descobrem um “4º Reich” e um “novo
Führer”. Sucessivamente, têm sido comparados a Hitler, Gamal Abdel Nasser,
Yasser Arafat, Saddam Hussein, Slobodan Milosevic, e agora Mahmud
Ahmadinejad. Charnaram a Nasser o «Hitler do Nilo». Menahem Begin chamava a
Arafat o «Hitler árabe». Actualmente, o presidente iraniano Ahmadinejad e os seus violentos
discursos negacionistas oferecem um novo terreno fértil aos manipuladores dos
media. Por exemplo, o neoconservador iraniano Amir Taheri, antigo
colaborador do xá, pôs a circular uma “notícia” segundo a qual o Irão iria em
breve obrigar os judeus iranianos a envergar na roupa a estrela amarela.
Apesar de falsa, essa “informação” fez a manchete do diário canadiano The
National Post, que alardeava num grande título: «O 4º Reich». O facto de
essa informação ter sido vigorosamente negada pelos judeus iranianos e por
toda a imprensa não alterou nada. o “golpe mediático” teve êxito e centenas
de milhares de canadianos e estadunidenses passaram a estar convencidos que
os judeus iranianos são obrigados a usar a estrela amarela. Coisa que será
muitíssimo útil se os Estados Unidos decidirem lançar uma nova guerra
preventiva contra o Irão... Os utilizadores da expressão “islamo-fascismo” têm em comum o desejo
do afrontamento bélico e do prosseguimento das acções armadas em nome da
“guerra mundial contra o terrorismo”. Ao longo dos anos, o historiador
britânico Bernard Lewis popularizou a noção segundo a qual os árabes e os
“orientais” só entendem a força. Lewis teria feito bem se lesse Hannah
Arendt: «Apesar de todas as esperanças do contrário, parece haver um
argumento que os árabes são incapazes de compreender: a força» [12]. Unir sob a mesma bandeira, a dos “islamo-fascistas”, dezenas de
movimentos extraordinariamente discordantes, amiúde em conflito uns com os
outros e com objectivos muito diversos, permite que se enraíze o mito duma
conspiração islâmica mundial, que se ocultem as questões geopolíticas
puramente profanas e, por conseguinte, que deixem de ser evocadas as causas
que levaram à criação da maior parte destes movimentos, em particular as
ocupações coloniais e os conflitos territoriais, a respeito dos quais só uma
justa resolução pode permitir drenar o terreno onde prospera o terrorismo
islamita contemporâneo. Macaqueiam-se facilmente as posturas churchillianas e,
simetricamente, chama-se “muniquenses” [traidores] a todos os que se opõem a
estas guerras tão absurdas como contraproducentes. E estes opositores, em vez
de serem vistos como espíritos lúcidos, são apresentados como novos “idiotas
úteis”, encarnações modernas de Édouard Daladier e de Neville Chamberlain, os
políticos que em 1938 assinaram com Hitler os Acordos de Munique. Dizia Paul
Valéry. «Não há nada pior do que as pretensas lições da História, quando esta
é mal conhecida e mal interpretada». ______ * Investigador. [1] Cf. o seu artigo de 17 de Agosto de 2006, What
is “islamofascism”?. [2] 8 de Setembro de 1990: «De Marrocos ao Paquistão, o autoritarismo
governamental, para não dizer o islamo‑fascismo, é mais a regra do que
a excepção». [3] Alain Gresh, Bernard Lewis et le gène de l’islam, Le Monde
diplomatique, Agosto de 2005. [4] Porque, a seu ver, «um fascismo religioso limitaria
inevitavelmente os poderes do seu dirigente, não só devido ao contrapoder
cultural do clero, mas também aos preceitos e valores veiculados pela
religião tradicionais. [5] Raymond Aron, Démocratie
et totalitarisme, Gallimard, Paris, 1965. [6] De forma simplificada, a teoria durkheimiana opõe a
“solidariedade orgânica”, caracterizada pela diferenciarão e por uma fraca
consciência colectiva, à “solidariedade mecânica”, caracterizada pelas
semelhanças e por uma forte consciência colectiva. [7] Robert O. Paxton, Le
fascisme en action, Seuil, Paris, 2004, p. 345. [8] Artigo republicado no Courrier international de 3 de
Novembro de 2005, com o título “Cause toujours, Ahmadinejad”. [9] Despacho da Reuters de 31 de Agosto de 2006. Noutros tempos,
semelhante notícia teria enchido as primeiras páginas dos grandes diários
norte-americanos. [10] Para um panorama global destas ligações perigosas, nomeadamente
no Sudeste Asiático, ver a obra do professor da Universidade de Columbia
Mahmood Mamdani, Good Muslim, Bad Muslim. America, the Cold
War and the Roots of Terror, Three Leaves Publishing, Nova lorque, 2005. [11] Walter Russel Mead chama “jacksonianos”, em referência ao
presidente Andrew jackson (1829-1837), aos ultranacionalistas que não hesitam
em intervir no estrangeiro mas que, ao contrario dos neoconservadores, não
procuram empenhar-se na nation building. Dick Cheney e Donald Rumsfeld
podem ser classificados como jacksonianos. [12] Hannah Arendt,
Peace
or Armistice in the Near East?, Review of Politics, University of Notre
Dame, Indiana, Janeiro de 1950. |