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15/02/2007 Pedro Campos O ano passado terminou mal para “Tory” Blair e este ano não começa
melhor. Em Dezembro de 2006, Rowan Williams, arcebispo de Canterbury e chefe
da Igreja Anglicana, atacou ferozmente a política do primeiro‑ministro
britânico no Iraque, ao denunciar que afecta negativamente as comunidades
cristãs que vivem nesse país. Num artigo publicado no Times – vai ser
difícil que Downing Street possa acusar esta publicação ou o arcebispo de
terroristas – disse que «a ignorância» e a «miopia política» de Blair e de
Bush, ao agredirem o Iraque, não tiveram em conta que os cristãos «seriam
vistos como partidários da cruzada de Ocidente». O arcebispo foi mesmo mais
longe. Para ele, a situação da comunidade cristã no Iraque piorou desde o
derrubamento de Saddam Hussein. Neste momento, a agressão imperialista contra o Iraque, que sempre
contou com a oposição da maioria do povo britânico, já custou a vida a mais
de 120 soldados de “sua majestade”, e já forçou Blair a admitir a
possibilidade de uma saída das suas tropas antes da Primavera deste ano. Isto
pode realmente suceder, até porque as críticas lhe chovem desde os níveis
mais altos do Estado Maior. Assim se fechou o ano, mas 2007 abriu igualmente feio para o
principal aliado de Bush, que tudo indica deixará de ser hóspede de Downing
Street antes do tempo regulamentar. Um escândalo de venda de títulos
nobiliários sacode o abalado prestígio de Blair, pelo que acaba de ser
interrogado, pela segunda vez, pela Scotland Yard sobre uma série de
denúncias de que, a troco de doações milionárias, terá distribuído títulos
honoríficos. Uma sua assessora, Ruth Turner, já está na mira da polícia, e
igual sucede com Lord Levy, principal angariador de fundos para o partido de
Blair e membro da Câmara dos Lordes, que já deu entrada na prisão por duas
vezes. No total, o escândalo já levou à detenção de quatro pessoas, e
noventa, entre elas Blair, já foram interrogadas pela polícia. Nunca tal
tinha sucedido a um primeiro-ministro e esta é uma “pérola” mais no seu curriculum... EUA: APRENDER PELO CAMINHO MAIS DURO Passada a euforia patrioteira dos primeiros dias e depois de mais de
três mil soldados mortos, a opinião pública dos Estados Unidos,
constantemente intoxicada pelos meios de comunicação, começa a ver um erro na
agressão imperialista contra o Iraque. Segundo uma sondagem revelada pela CBS
News, a maioria dos estadunidenses duvida que Bush possa ganhar a guerra e
seis em cada dez consideram que a guerra foi um erro. Oitenta e cinco por
cento dos entrevistados definem o que está a suceder como uma “guerra civil”
e só um quarto dos inquiridos – o número mais baixo de sempre – aprova a
gestão de Bush. Por outro lado, menos de dez por cento da população espera um
triunfo. Esta não é a única sondagem com resultados iguais ou muito
semelhantes e não deixa de ser interessante frisar, como o fazem já alguns
meios de comunicação, que estes números se parecem bastantes aos
correspondentes à guerra do Vietname, quando só sete por cento dos norte‑americanos
achavam possível uma vitória. Já sabemos o que se passou. Entretanto, Bush parece estar no bom caminho para ganhar o título de “pior
presidente dos Estados Unidos”. A discussão está a decorrer nalgumas páginas
muito simbólicas, entre elas as do Washington Post. Eric Foner,
professor de História da Universidade de Columbia, aponta que «durante os seus
primeiros seis anos no cargo [Bush] conseguiu combinar as faltas de
liderança, políticas mal geridas e abuso de poder dos seus antecessores. Acho
que não há alternativa a classificá-lo como o pior presidente na história dos
Estados Unidos». O também historiador Sena Wilentz (Universidade de
Princeton,) conclui, na revista Rolling Stones, que Bush «parece estar
a caminho de uma desgraça histórica colossal». |