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26/04/2007 Roberto Montoya El Mundo; traduzido de Rebelión «A tua vida está nas minhas mãos», «Prepara-te para uma vida de
sofrimento», diziam‑lhe os seus interrogadores em Guantánamo ao
adolescente canadense Omar Ahmed Khadr, depois de ser transladado para essa
base estadunidense desde o Afeganistão em Outubro de 2002, quando tinha 15
anos. Khadr foi capturado pelas tropas norte-americanas no decurso de uma
batalha perto da localidade de Khost, na qual recebeu três tiros, ficando
quase cego de um olho. Depois de quatro anos e meio de torturas e
humilhações, Omar Ahmed Khadr, nascido no Canadá em 1987 e residente no
Afeganistão desde os anos 90 quando a sua família se mudou para lá, depois de
um período no Paquistão, foi acusado ontem por um tribunal militar de «apoio
ao terrorismo». O Serviço de Informações militar assegura que o jovem matou
em combate com uma granada o sargento Christopher J. Speer, quando as tropas
estadunidenses rodearam o acampamento dos homens de Bin Laden, onde Khadr
vivia com a sua família. O seu pai, Ahmad As’d Khadr, era um lugar‑tenente
de Bin Laden e os filhos de ambos brincavam juntos no acampamento. O jovem
Khadr é acusado também de colaborar na colocação de minas para explodir
comboios das tropas dos Estados Unidos. Como todos os prisioneiros de Guantánamo, Kdahr, que agora tem 20
anos, foi qualificado, como os cerca de 750 prisioneiros que passaram nestes
cinco anos pela base, como combatente inimigo, e portanto carece dos direitos
de prisioneiro de guerra reconhecidos pelas Convenções de Genebra. Por esse
motivo, Omar não pôde receber nenhuma visita familiar nem defesa legal
durante estes anos. Os tribunais militares de Guantánamo são compostos por
três oficiais e o advogado de ofício atribuído ao acusado é também militar, o
qual só fornece a seu defendido a informação do sumário que não afecte a
segurança nacional. A Amnistia Internacional, que pede que seja julgado por
um tribunal civil, assegura que o jovem prisioneiro denunciou que quando foi
capturado, gravemente ferido, «pediu medicamentos contra a dor, mas foram‑lhe
negados»; que «o obrigaram urinar‑se sobre si mesmo», «os guardas
golpeavam‑no», também «o levantavam pelo pescoço enquanto estava com
grilhetas e o deixavam cair no solo». Omar Ahmed Khadr permaneceu enclausurado no Campo 5 de Guantámano,
concebido ao estilo das mais duras prisões de alta segurança estadunidenses.
O Campo 5 esteve sempre reservado para detidos de alto valor, para os
relutantes em cooperar. Para protestar contra o trato que recebia, o jovem
detido iniciou uma greve de fome em Julho de 2005 juntamente com outros 200
prisioneiros. Permaneceu sem comer durante 15 dias, perdendo 13,5 quilos;
vomitava sangue. Kahdr sofria de insónias, dizia que ouvia vozes quando não
tinha ninguém. O especialista em saúde mental Eric W. Trupin concluiu que
tinha um desequilíbrio psíquico como resultado das torturas e que havia
riscos de que tentasse suicidar‑se. Apesar de ter nascido no Canadá, este país, fiel aliado dos EUA,
negou-lhe todo o tipo de assistência, tal como fez com outros prisioneiros
dessa nacionalidade. «Não estou aqui para te ajudar. Não estou aqui para
fazer nada por ti; estou aqui simplesmente para obter informação», disse-lhe
um dos vários funcionários canadenses que interrogaram em várias ocasiões o
jovem em 2003. Advogados canadenses denunciaram o seu Governo por ter
permitido os interrogatórios sem presença de advogado, o que viola a
Constituição do Canadá. Mas Omar Ahmed Kahdr não é o único adolescente que
tem estado preso e torturado em Guantánamo. Apesar de o subsecretário de
Defesa dos Estados Unidos, Paul Butler, ter afirmado em Julho de 2003, numa
carta à Amnistia, que «os combatentes inimigos jovens recebem um trato
adequado à sua idade e condição», não foi cumprido nem com Omar nem com os
outros menores de idade que passaram por Guantánamo nos últimos cinco anos.
Em Abril desse ano, os EUA reconheceram pela primeira vez que entre os
detidos havia rapazes de apenas 13 anos. Três deles, jovens afegãos de entre
13 e 15 anos, que denunciaram ter sido sodomizados e torturados, foram
libertados no final de 2003 e devolvidos ao seu país, sem que os comandos
militares apresentassem acusação alguma contra eles. |