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25/05/2007 A Amnistia Internacional, no seu relatório de 2007, acusa o governo
de Bush de «tratar o mundo como um grande campo de batalha» a pretexto da
luta “antiterrorista”. Os termos da AI são invulgarmente duros, para mais
tratando-se dos EUA. Com efeito, o que é dito não se fica por casos pontuais:
é toda a política posta em marcha na “guerra ao terror” que é visada. A AI
denuncia a «globalização das violações do direito internacional» e aponta a
política dos EUA como o exemplo mais acabado dessas violações. As estratégias
contra‑terroristas, prossegue a AI, «pouco fizeram para reduzir a
ameaça de violência ou garantir justiça para as vítimas de ataques», mas, em
contrapartida, «fizeram muito para prejudicar os direitos humanos e o Estado
de direito». Além dos EUA, a AI critica ainda a colaboração prestada à política
norte-americana por «lideranças míopes e cobardes» e «líderes sem princípios»
que encorajam, sustentam e instigam o medo. Um dos exemplos disso está no programa dito de «entregas
extraordinárias», também denunciado pela AI, ao abrigo do qual os EUA e os
seus aliados têm raptado e conduzido a prisões secretas e a centros de
tortura centenas de pessoas de todo o mundo. Os voos da CIA, dezenas dos
quais passaram por território português, praticaram precisamente esses
crimes. O incómodo sentido pelas autoridades portuguesas com o assunto, e o
silêncio que procuraram fazer cair sobre o tema, são na verdade um
encobrimento de um tipo de crime que acaba por «desbaratar os direitos
humanos em nome da segurança», para usar uma expressão do relatório da
Amnistia Internacional. SIGA A GUERRA Foi um fogacho, afinal, a proposta dos democratas norte-americanos de
impor uma data para a retirada das tropas dos EUA do Iraque. Há meses, a
maioria democrata no Congresso aprovou o reforço do orçamento de guerra
pedido por Bush com o argumento de que, em contrapartida, imporia um limite à
presença das tropas norte‑americanas no Iraque, que seria Agosto de
2008. Bush agradeceu a aprovação do orçamento e vetou a retirada. Com a
chantagem de que uma data para retirar as tropas equivalia a uma «capitulação»,
a administração travou um braço de ferro com a maioria e … conseguiu que ela
cedesse. «Não podemos aprovar nada sem a assinatura do presidente e ele não
aprova nada sem o nosso acordo», justificou-se o líder da maioria democrata
na Câmara dos Representantes, que insiste em não ver nisto uma vitória de
Bush. As esperanças que as eleições de final de 2006 representaram para
maioria da população norte-americana – que deu a vitória à oposição –
desvanecem-se deste modo inglório, aprisionadas dos entendimentos entre
democratas e republicanos. Razão tinha o relatório Baker‑Hamilton ao
dizer que a grave situação no Iraque precisava de ser suportada por
entendimento bipartidário na retaguarda. Ele aí está – resume-se à
continuação da guerra. |